20 de novembro de 2011

Experiência da Doroth no Haiti

Oi mulherada!
Sei que vocês andam ansiosas pelos próximos capítulos. Mas, também sei que vocês compreendem que nós não vivemos de blog e todas temos trabalho, faculdade, colégio, vestibular, família, igreja, namorado (gente, vocês deram parabéns pra Lari? Ela tá namorando! uhuuuul) pra sustentar.
Nesses últimos meses eu tenho estado envolvida com o Projeto Haiti, e estive por lá do dia 8 ao dia 16. Acho que vocês vão curtir ler um pouco sobre a experiência que mudou minha vida! Esse texto foi publicado originalmente no meu blog, o Diário de uma Crisálida. Vale conferir!
Beijocas!


"Peço a Deus que mostre a sua cara para mim e através de mim. Já não me basta crer e esperar. Anseio ver e interferir." Ed René Kivitz

Tudo começou em 8 de novembro de 2011. Ou talvez em 15 de julho de 2011. Na verdade, acredito mesmo que tudo tenha começado bem antes da fundação do mundo.


Nunca tinha pensado em ir para o Haiti. Na verdade, talvez eu nunca tenha realmente acreditado que iria pra algum lugar. Dizem que missionários amam pessoas. Por mais que eu goste de pessoas, sempre achei que faltava alguma coisa em mim. Sempre pensei que essa coisa de missões era pra gente mais humana, mais espiritual, mais adequada e menos 'eu'.
Até que eu ouvi a voz dEle. Em um imenso sopro de misericórdia, Ele me chamou: 'Venha minha querida, venha minha bela, venha comigo!'. E eu fui. E entendi o que move um missionário. Não só um amor sobrenatural por vidas, mas antes um chamado. Chamado tão envolvente e irresistível que me fez sair correndo, cair em Seus braços e dizer: 'Eu quero me apaixonar por Você, estar onde Você está, amar o que Você ama! Quero ser sua, e somente sua, para sempre!'. E aí, pronto. Meses depois, lá estava eu: unhas roídas, camiseta amarela e borboletas no estômago, a caminho do Haiti.




Foi uma grande loucura, confesso. Em ano de vestibular, nada dócil ou aparentemente preparada. Lutas em minha mente eram recorrentes. Nada saiu do meu jeito. Não queria seguir o meu jeito. Queria seguir o jeito dEle, o de Tua Palavra. Meu coração inflamava de desejo por Ele. Fui seguindo Suas pegadas, um passo de cada vez. E os resultados foram surpreendentes.
A caminho do Haiti, embarcamos em 8 de novembro de 2011, às 2h35 da manhã no aeroporto de Guarulhos. A Equipe MÃOS (Ministrando Amor, Oração e Serviço) era composta por 30 pessoas.
Os dias anteriores foram marcados por cansaço, ansiedade e lágrimas. Como sou menor de idade, havia muitos detalhes burocráticos a acertar. Além disso, minha personalidade colérica faz de qualquer coisa algo muito maior do que realmente é. Com as unhas em carne viva de tanto roê-las, na véspera da viagem recebi um afago todo especial vindo do Senhor. Valeu a pena!


Missões e amor por vidas não se tratam de algo fabricado por nós mesmos. Pensei em descrever todas as experiências, mas achei desnecessário. A mais sublime de todas é essa: se você ama a Deus, ame o que Ele ama.


Elizabeth Elliot, uma das mulheres a quem mais admiro, diz que o amor é o caminho para a maturidade. Os laços do egoísmo crescem e nos mantém em um tipo de berço espiritual. À medida que Jesus se torna cada vez mais parte de nós e nossa perspectiva espiritual é ampliada, passamos a desejar com mais intensidade a renovação interna necessária que nos torna mais parecidos com Ele.


Dentre tudo o que aprendi nesses dias, o principal foi: Amar a Jesus automaticamente faz com que Ele faça morada dentro de nós. Assim, enquanto estivemos no Haiti, ou enquanto estamos em qualquer outro lugar, não oferecemos uma versão melhorada de nós mesmos, como eu imaginava que aconteceria. Oferecemos Jesus, o maior presente de Deus para a humanidade! De mim mesma, não trago muito para oferecer, mas de Deus, trago o que o ser humano mais precisa.


Um dos aspectos mais apaixonantes de Jesus é o Seu nome, que é sobre todo nome: DEUS CONOSCO. O Pai enviou Jesus para tornar a Verdade algo pessoal e íntimo. Jesus ria das travessuras das crianças, chorou no túmulo de um amigo querido, usou de sua própria saliva para curar um cego que era visto como intocável, disciplinou gentilmente uma mulher excluída e ofereceu o próprio sangue em sacrifício vivo pelos nossos pecados. Agora acreditamos quando Jesus diz que nos ama. A vida de Jesus foi uma explicação de Deus. Para os seguidores de Cristo, essa é a principal tarefa: tornar visível o Deus invisível para um mundo que ainda não conhece. Temos de viver de maneira 'corporificada': Deus conosco, Deus em nós. Temos a oportunidade de estar com outras pessoas, "explicando", assim, Deus. Praticar isso está no âmago de viver o amor por Deus.


Esse conceito quebra totalmente a ideia de que missionários são "santos". Se você é um cristão nascido de novo, já tem dentro de si o suficiente para levar cura, conforto e amor a qualquer pessoa de qualquer cultura. Você tem Jesus dentro de você, e quando se oferece, está oferecendo a Jesus. 


Me perguntava o tempo todo o que eu estava fazendo lá. Até que percebi que provavelmente a coisa mais importante que estava fazendo era simplesmente estar lá. Nouwen diz que todo ser humano tem um dom imenso, embora quase sempre desconhecido, para cuidar, ser compassivo, tornar-se presente na vida do próximo, escutar, ouvir e receber. Se esse dom fosse liberado e disponibilizado, milagres poderiam acontecer. No Haiti, aconteceram.


Meu coração está partido, quebrado, sangrando. Se nossa presença foi tudo o que podíamos fazer, não era tudo o que gostaríamos de fazer. O Haiti precisa de muitos recursos, espirituais e humanos. Na verdade, ainda duvido que o mundo em si mesmo tenha recursos para mudar a situação do país.Os céticos que me perdoem, mas eu creio que somente Deus em pessoa pode reverter a situação que vimos.


Sei de pouca coisa sobre o futuro. Na verdade, sei que sei cada vez menos sobre tudo. Mas, de uma coisa tenho certeza: Deus tem um amor especial pelo Haiti. E eu amo a Deus. Então, inevitavelmente, eu amo muito o Haiti também!

"Então ele se tornou o Salvador deles.Em todas as suas tribulações,Ele estava atribulado também.Ele não enviou ninguém para ajudá-los,Ele mesmo o fez, pessoalmente." Isaías 63:8-9, Bíblia em Linguagem Contemporânea